Linhas e Pontos por Carlos Marinho
Clube de Matemática SPM - Eixos de Opinião setembro de 2017
Publicado a 11 de Setembro de 2017



 

Este espaço vai ser dedicado a aspectos simples da vida em contexto real, em que a matemática pode entrar como elemento surpresa. Em síntese, estas "linhas" terão como base "pontos" comuns da nossa vida, em que a objectividade da Matemática pode fazer compreender alguns "problemas" que vão surgindo em contexto real. Como afirmou Pitágoras, "Todas as coisas são números". Nesta rubrica tudo cabe... até a matemática.                                    

   

Carlos Marinho -  Professor de Matemática                                      



Linhas e Pontos por Carlos Marinho - (A)Justes de Contas...

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Título: (A)Justes de Contas...


Por estes dias passei por uma pequena aldeia em Trás-os-Montes, na cidade de Vila Real chamada Justes. Foi por lá que há uns anos foi noticia uma pequena e jovem raposa que de uma forma natural vinha comer à pequena aldeia através das mãos de uma habitante. A ligação era tão real, que quando chamada pelo nome “bonita”, a raposa aproximava-se da casa como dela fizesse parte integrante (ver reportagem Sic).


De imediato, me lembrei de uma pequena história que não passará de um mito histórico e que falava de uma pequena raposa que tinha sido adoptada em muito pequena por um jovem casal. Em pouco tempo, passou a ser mais um elemento daquela família. Era tratada como um animal de companhia, fazia parte integrante da família. Até que um dia, no café o jovem rapaz em conversa com um amigo, foi alertado por este para o perigo que podiam correr. Defendia o amigo que uma raposa é uma raposa. O lado selvagem e indómito está sempre presente e, a qualquer momento poderia vir ao de cima o seu lado felino. Pode ser um perigo para toda a família, principalmente para o bebé que tinha nascido há pouco tempo, defendia o amigo. Lembra-te que as raposas são matreiras. Aquela conversa confundiu e agitou o pobre rapaz. Será? Perguntava-se. Ao chegar a casa, meteu as chaves à porta e percebeu que algo não estava bem. Algo inusitado tinha acontecido. Ao abrir a porta a jovem raposa  recebeu-a com um sorriso maroto de orelha a orelha e com sangue na boca. Revoltado, foi a correr á cozinha, pegou numa faca e matou a domesticada raposa. Em seguida, foi a correr ao quarto e encontrou o bebé a sorrir todo feliz. Olhou para o chão, mesmo junto ao berço, estava uma grande cobra morta aos dentes da familiar e fiel raposa. Tinha salvo o seu bebé. 

Na nossa vida, no nosso quotidiano, existem personagens de diferentes tipos, que dizem que são amigos, que confundem, que atrapalham, que atrofiam seja na educação, na saúde, na política, no futebol que nos fazem mudar o nosso caminho, simplesmente porque aquilo que defendemos não sabemos proteger, as nossas ideias. O matemático René Descartes defendia que “um optimista pode ver uma luz onde não existe nenhuma, mas porquê que o pessimista corre sempre para apagá-la?