A raposa... por José Veiga de Faria - Contos de 3º grau - Episódio V
Contos de 3º Grau - História 20
Publicado a 21 de Setembro de 2017

A Raposa... por José Veiga de Faria nos contos de 3º grau - Episódio V

Contos de 3º Grau - História 20

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Título: “A Raposa...” - História 20

            Episódio I - Carlos Marinho            Episódio II - Gonçalo F. Gouveia             Episódio III - José Carlos Pereira

            Episódio IV - José Carlos Santos.    Episódio V - José Veiga de Faria.            Episódio VI - Sílvio Gama.                

    


Episódio I por Carlos Marinho - Dia 1

Numa aldeia longínqua e bela de Trás-os-Montes, a dona Maria apanha lenha na serra e algumas pinhas para um cesto de vime. O inverno vai ser rigoroso e nada melhor que juntar alguma madeira no fim do verão para o aquecimento nos dias de maior frio. Com o cesto cheio, pôs o pés ao caminho, em direção a casa, torneando as grandes árvores da floresta. Volvidos alguns instantes, sentiu uns barulhos esquisitos mesmo atrás de si. Pareciam passos. Olhou para trás e num tom de voz forte disse: - Quem está aí? Quem vem lá?    
Não houve resposta. Os barulhos esquisitos tinham desaparecido. Com algum receio acelerou o passo em direção a casa. Os passos regressaram. O sentimento de medo apoderou-se de Maria. Mas quem seria? - pensava ela.    
Nisto, estava à porta de casa. Respirou fundo. Mas, a curiosidade apoderou-se dela. Já em terreno seguro, no seu quintal, olhou energicamente e corajosamente para o outro lado da rua e deu um grito. Estava do outro lado da estrada um animal parecido com um cão. Mas não era um cão, era uma raposa…


Episódio II por Gonçalo F. Gouveia - Dia 6

A Dona Maria sorriu para si própria – Que tonta! É só um pilha-galinhas… Remoendo o embaraço de tão inútil sobressalto a viúva recente remexeu os bolsos em busca da chave de casa. Extraiu-a do bolso e ensaiava uma pontaria difícil à fechadura quando, pelo canto do olho bom – que era o esquerdo, porque o olho direito consumiram-no décadas de vigilância épica ao falecido, que era danado para fisgar rabos-de-saia, o demónio, que Deus o tenha, pelo canto do olho apercebeu-se que a raposa se tinha aproximado do portão. 

– Olha o descaramento! Vociferou, entre a indignação e a inquietação que aquela persistência lhe causou. Apanhou do chão uma pedra, mas no momento de a projetar olhou com a madeixa branca em forma de crescente na testa do animal. Um choque medonho apoderou-se dela – Não pode ser… é a mancha do falecido! – balbuciou. Aproximou-se mais e escrutinou as patas traseiras do canídeo: lá estava, para além de qualquer dúvida, a perna direita mais curta do ‘seu’ defunto Antunes. 

– Ai Jesus – exclamou – Antunes, que fazes tu dentro desse bicho?


Episódio III por José Carlos Pereira - Dia 11

    

Não obteve resposta! Num tom assustado e gaguejando perguntou:

− Mas, mas o que fazes tu aqui?

Agora sim, o Antunes respondeu-lhe:  
− Vim ver-te, tinha saudades tuas e do nosso Pedro!  
A Dona Maria estava incrédula. Não entendia como era possível estar a ver e a falar com o seu defunto marido. Seria uma visão? Estaria a sonhar? Olhava em seu redor para ver se detectava algum sinal de que tudo aquilo não passaria de um sonho, mas nada! Não havia nada que lhe indicasse que o que se estava a passar não era a mais pura das realidades. “Como é possível?!” – pensou ela! Entraram, abraçaram-se e disse-lhe que sentia muito a sua falta.   
Em seguida falou-lhe do Pedro:  
− Sabes, também tenho muitas saudades dele. Desde que foi para a América fazer o Doutoramento que nunca mais o vi. Falo com ele uma vez por semana. Ele tenta explicar-me em que consiste o seu trabalho, mas eu não entendo. Aliás, eu não entendo como é que aquilo é Matemática!  
De repente ouve-se um barulho, a imagem do Antunes parece ser cada vez mais difusa e distante. A Dona Maria acorda sobressaltada e percebe que tudo não passou de um sonho, infelizmente. O barulho é o de alguém a bater à porta.  


Episódio IV por José Carlos Santos - Dia 16

Seria mesmo alguém a bater à porta? Depois daquilo da raposa, a Dona Maria já não sabia se podia acreditar nos seus próprios sentidos. Mas acabou por se convencer de que estavam mesmo a bater à porta. Foi ver quem era e, para seu grande espanto, era o Pedro! 
O que era natural era que o abraçasse, mas ficou em tal estado de choque com a supresa que ficou apenas parada a olhar para ele. E isso não resultou apenas da surpresa. Naturalmente, receava que fosse outro sonho. Ou uma continuação do anterior. 
O Pedro, esse, abraçou-a. 
— Mãe, há quanto tempo. — disse ele. E tratou de lhe explicar que tinha podido vir a Portugal por uns dias graças a uma promoção de uma companhia aérea. 
— Aqui, pelo que vejo, continua tudo na mesma — continuou o Pedro. — Só há uma coisa que me espantou. A mãezinha quer saber que, quando estava mesmo a chegar aqui a casa. vi uma raposa lá fora? É estranho, não é?


Episódio V por José Veiga de Faria - Dia 21

A Ti Maria, com a mão na anca dorida das artroses, esbugalhou os olhos num misto de perplexidade e de medo. 
- Uma raposa!?... Outra vez tu!... delirou.
-  Filho, já ontem a vi por aqui. Assalta os galinheiros e come as galinhas da vizinhança.  
E dizia para consigo mesma: - Como tu grande bandido que me tiraste anos de vida… e eu que estava vidrada em ti…  
- Sabes, mas até parece vir a bem, se calhar tem algum problema, observou o Pedro. Oh! Mãezinha, se for assim podíamos trazê-la para casa e tentar ajudá-la.
- O quê? Trazê-la para casa? quase gritou a Ti Maria em pânico enquanto falava com o defunto já meio enlouquecida: 
- Oh Antunes!  será que te passou pela cabeça reunir de novo a família pondo o raio de uma raposa à cabeceira da mesa? 
- E tentar domesticá-la de forma a que se torne um membro da Família e uma companhia para ti quando eu regressar aos States, rematou o Pedro parecendo feliz com a ideia.
Maria começou a sentir uns calores, que passaram a suores frios, ao mesmo tempo que ia perdendo o controle.
-  Mãe! o que se passa? acudiu o Pedro aflito enquanto tentava ampará-la.


Episódio VI por Sílvio Gama - Dia 26


FIM