O Cavaleiro da Triste Eleição por José Carlos Pereira - Parte 2...
Contos de 3º Grau - História 21
Publicado a 06 de Outubro de 2017

O Cavaleiro da Triste Eleição por José Carlos Pereira - História 21 (Parte 2) 

Contos de 3º Grau - História 21

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Título:  O Cavaleiro da Triste Eleição 


             Episódio I - Gonçalo F. Gouveia             Episódio II - José Carlos Pereira       Episódio III - José Carlos Santos  

             Episódio IV - José Veiga de Faria           Episódio V Sílvio Gama                  Episódio VI - Carlos Marinho             

 


Episódio I por Gonçalo F. Gouveia - Dia 1


O sargento Reis, veterano da Guarda, sentiu que lhe ardiam novamente os olhos e voltou apassar o lenço pela testa, mais por entretenimento que por eficácia, porque o calor era tal que sentia que toda o seu orbe calvo se liquefazia. Suspirou pela centésima vez e amaldiçoou quem tivera a ideia de os por numa operação de fiscalização a viaturas numa estrada onde a única viatura era a deles. Dele e do malandro do Cabo Ferreira que se ausentara para ‘verter águas’ e ainda não voltara. Foi ao abanar desolado a cabeça que o viu pela primeira vez: na curva, bem ao meio da estrada, perfilava-se uma visão extraordinária: no lombo de uma pileca miserável cavalgava um sujeito carregando uma longa vara à guisa de lança, coberto por uma armadura improvisada em cartão canelado; na cabeça, brilhando ao sol, empoleirava-se uma arrastadeira ostentando uma etiqueta onde se lia: ‘Propriedade do Centro de Saúde’. O Sargento, atónito,reconheceu finalmente o Presidente da Junta da vizinha Carcamelos quando o estrambólico personagem berrou a plenos pulmões: ‘Prostrem-se hostes, que se vos apresenta D. Quixote, o da Triste Eleição, que vencido em justo escrutrinio, caminha para o exílio!’.


Episódio II por José Carlos Pereira - Dia 6

  

Ao ouvir aquilo, o Sargento não evitou falar para os seus botões “este homem pirou!” e acto contínuo manda-o parar e ordena-lhe:

− Ó homem desça do cavalo que ainda se aleija! Pior, ainda aleija o animal! 

O Presidente, ajeitando a “armadura” e o “capacete”, responde ao Sargento:

− Não vê que tenho de fugir para o exílio? Deixe-me seguir!

Entretanto, o Ferreira, ainda com as calças na mão, chega perto do seu superior e ao ver toda aquela cena não conseguir evitar rir descontroladamente ao mesmo tempo que diz, alto e bom som, “o presidente endoideceu, está maluco!”. A situação descontrolou-se rapidamente. O Sargento não conseguia impor a sua autoridade e a forma incontrolável como o Cabo Ferreira ria também não ajudava nada. Mas algo pior vinha a caminho. 

Ao fundo, algumas dezenas de pessoas corriam pela estrada empunhando enxadas, foices e outros instrumentos agrícolas, gritando “não o deixe fugir Sargento, esse sacana tem muito que explicar”. O presidente ao ver aquela gente toda atrás dele espeta as esporas na pileca que arranca a toda a velocidade. 

O Sargento não sabe o que fazer, pergunta o que se está a passar mas só lhe respondem “temos de o apanhar esse miserável, o sacana tem muito que explicar”.


Episódio III por José Carlos Santos - Dia 11


Episódio IV por José Veiga de Faria - Dia 16


Episódio IV por Sílvio Gama - Dia 21


Episódio VI por Carlos Marinho - Dia 26


FIM