Bits&Bytes por Alexandre Trocado
Clube SPM - Novembro de 2017
Publicado a 25 de Novembro de 2017

                                                        



A cada dia, os computadores, a internet e mais recentemente os smartphones e os tablets ganham relevância. Neste espaço apresentarei mensalmente recursos que nos permitem lidar com a Matemática de uma forma dinâmica e inovadora. Todos os dias 28 de cada mês...


Alexandre Trocado - Professor de Matemática       


 

Bits&Bytes por Alexandre Trocado - Matemática para um aluno com perfil do séc. XXI

Clube SPM - Novembro de 2017 

 

Clube de Matemática SPM

Facebook Clube SPM


Título: Matemática para um aluno com perfil do séc XXI

 

Vivemos uma era em que os sistemas automáticos se encontram por todo o lado, onde já é possível observar carros que conduzem autonomamente e se prepara para a entrada da inteligência artificial na economia mundial. Enquanto ocorrem todas estas alterações na sociedade, o ensino da Matemática continua a preparar os seus alunos para o séc. IXX.  

Então os alunos não devem aprender o mais básico na Matemática? Devem ficar apenas dependentes das calculadoras? Não! Mas aprender a calcular não deve ocupar 80% do tempo da disciplina. 


O que é feito do algoritmo da raíz quadrada? 

Como foi possível o ensino da Matemática ter sobrevivido sem que os alunos saibam calcular uma raíz quadrada analiticamente? É apenas um exemplo. Actualmente os professores comportam-se como uma espécie de vendedores de um mau produto a clientes que não o querem comprar, ou seja, estão reunidas todas as condições para  o fracasso. 


Quem actualmente não depende de tecnologia? 

Em todas as áreas já dependemos de tecnologias há muitos anos, só que estas se encontram cada vez mais evoluídas. Tempos houve em que a esferográfica foi considerada como uma inovação e proibido o seu uso porque estragava a caligrafia.

Então para que serve a educação? 

Na sociedade do séc. XXI já não se ensina a caçar, já não se ensina a fazer fogo, entre outras coisas necessárias à sobrevivência do ser humano. E isto porquê? Porque não é suficientemente relevante e útil.  

A educação deve cumprir o seu papel e ser útil na preparação das gerações mais novas para a sociedade na qual se integram. O que dizer à recente notícia em que na área mais insuspeita como o direito, a JP Morgan ter adquirido um software que realiza rapidamente a análise de contratos? Esta tarefa levaria 360 mil horas de trabalho advogado por ano. 

Os jovens que se encontram no ensino básico previsivelmente entrarão no mercado de trabalho num prazo de 20 anos e algumas das funções que irão desempenhar não se encontram ainda criadas. Então qual a relevância de se prepararem com ferramentas actualmente já desactualizadas? 


Qual o caminho que deve seguir o ensino da Matemática? 

Em Portugal, para além de colmatar a falha grave da ausência do ensino da estatística durante o secundário, “ensinar a calcular” deve deixar de ser o principal objetivo. Integração de software, programação e, principalmente, a resolução de problemas relevantes e úteis à sociedade do séc. XXI, que envolvam raciocínio matemático.