Um sonho de pijama por José Carlos Pereira - História 23 - FIM
Contos de 3º Grau - História 23
Publicado a 26 de Dezembro de 2017

Um sonho de pijama por José Carlos Pereira - História 23 - FIM

Contos de 3º Grau - História 23

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Título: Um sonho de pijama


                  


Episódio I por José Carlos Santos - Dia 1


A Joana começou a reparar que havia algo de errado com o Alberto. Não o tempo todo, mas ao deitar-se e ao acordar. Enquanto que normalmente o Alberto adormecia rapidamente, nos últimos tempos ela sentia-o a dar voltas na cama antes de, finalmente, acalmar. E, de manhã, via-o sempre a acordar ou de sobrolho franzido ou com um ar perplexo. Ela sabia por experiência que, com o Alberto, era melhor deixá-lo fazer perguntas do que ser ela a averiguar o que se passava («interrogatório» era o temo usado pelo Alberto para descrever quase qualquer pergunta dela) mas acabou por não resistir e fez levantou timidamente o problema. Para seu espanto e alívio, o Alberto mostrou-se disposto a pô-la a par do que se passava.     
— Já há bastante tempo que tenho estes sonhos muito vivos — disse o Alberto. — Como sabes, durante muitos anos era raríssimo lembrar-me dos meus sonhos, mas agora lembro-me quase todas as manhãs. São sonhos muito diferentes e alguns até são pesadelos, mas têm duas coisas em comum. A primeira é que são sonhos muito realistas: passam-se sempre em locais e com pessoas que conheço. A segunda é que me faz confusão. — Fez uma pausa e depois acrescentou, com um ar um bocado embaraçado — É que em todos eles há alguém que está de pijama.


Episódio II por José Veiga de Faria - Dia 6


- Alguém que está de pijama!?... Joana ficou a refletir. Da análise de sonhos só sabia o que tinha apreendido nas conversas com a sua amiga e muito atraente vizinha Rita, que era uma reputada jovem psicóloga. Duas coisas básicas sabia: que o facto de começar a recordar sonhos significava que elementos ansiogénicos tinham perdido parte da sua carga de ansiedade, e que o aparecimento de elementos repetitivos significava que algo de perturbador, reprimido no sótão do inconsciente, estava a tentar, embora disfarçado, entrar em cena.    
- Andas muito agitado, disse ao Alberto, enquanto pensava falar com a Rita logo que tivesse oportunidade. Tenta relaxar e repousar, vai dar um passeio a pé, acrescentou na expectativa de que ele se ausentasse.    
Quando o Alberto saiu, Joana correu para tocar na porta da amiga.     
Quando ela abriu, muito sorridente, Joana ficou atónita... Rita tinha vestido um pijama como o Alberto tinha descrito, com porcos voadores!!!...


Episódio III por Sílvio Gama - Dia 11


- Olá, Joana! Como estás? Bom dia. Entra, por favor. Estou a acabar o pequeno-almoço. As duas dirigiram-se para a sala do apartamento. Rita notou no ar de espanto de Joana que não deixava de olhar para o pijama. 

- Gostas? Foi o Carlos, meu namorado, que me o ofereceu da sua mais recente viagem à China. Sabes? A China é o principal país produtor de carne de porco. Acho que, actualmente, representa mais de metade da produção mundial. Olha, mas quem sabe disto, é o Carlos, CEO da “Porcos & Companhia, S.A.”. 

O olhar de Joana arregalou-se de surpresa ao ver ali um ex-namorado no apartamento da vizinha.

- Mas... já se conhecem? Perguntou a Joana surpreendida.


Episódio IV por Carlos Marinho - Dia 16


A resposta de Joana foi imediata.   
- Não!  
Carlos visivelmente incomodado disse: Não!   
Nisto toca de novo a campaínha da porta e Rita diz:  
- Quem será?  
Ao abrir a porta Rita fica em pânico:  
- Tu aqui?  
Alberto incrédulo refere:  
- Como? A minha ex-namoradinha... Oh, não! Moras aqui?  
Na sala Joana e Carlos discutem severamente:  
Joana diz:  
- Vou-me embora! Não prestas!   
- Odeio-te! Diz Carlos.  
Nisto dirige-se para a porta e vê os outros dois a digladiarem-se com os olhinhos e diz:  
- Vamos embora, Alberto!  
A confusão foi total. Estava a ferro e fogo.  
No dia seguinte, todos procuravam Alberto. Todas as suas coisas estavam no apartamento de Joana, mas ele tinha desaparecido do mapa...


Episódio V por Gonçalo F. Gouveia - Dia 21


Joana recebeu a chamada do hospital pelas dez da manhã, quando se enchia de coragem para desentulhar as insondáveis camadas arqueológicas da masculamente caótica gaveta de Alberto, numa demanda heroica por indícios do seu paradeiro. Do outro extremo do éter eletrónico uma voz lacónica comunicou-lhe: "Minha senhora, um indivíduo sem identificação, que insiste ser o Sr. Alberto Patanegra (aqui a voz suspirou como se convocasse toda a paciência do mundo), foi admitido nas urgências ontem à noite, após ter-se envolvido numa contenda num talho da Porcos & Cª (leu a voz, agora cética), alegando estar a sonhar, daí estar de pijama (continuou a ler a voz descarnada, agora audivelmente interessada), tendo agredido um profissional do ramo alimentar quando este o impediu de perseguir uma senhora que lá fazia compras, vestida com um pijama com porcos… enfim, suínos, voadores (concluiu a voz, agora incrédula). Este senhor deu-nos o seu número, mas devo avisá-la minha senhora (sussurrou a voz, com genuína compaixão) o rapaz do talho era para o grande e chegou-lhe bem, mas o cavalheiro só fala em desossar a tal senhora do pijama, que está na cama ao lado porque, na confusão, escorregou num fiambre congelado".


Episódio VI por José Carlos Pereira - Dia 26

 


Ainda meio atordoada com o que acabara de ouvir, Joana responde: “sim, vou já para ai.” Desliga o telefone e pensa “Ensandeceu! O que se passa com ele?”
Acto contínuo, fecha a gaveta, pega nas chaves do carro e sai para ir ter com o namorado ao hospital. Durante o percurso pensa numa maneira de falar com ele de forma a fazê-lo ver que todo aquele filme não passa da imaginação fértil da sua cabeça. Não sabia que o Carlos era o actual namorado da Rita, nem tampouco que a Rita tinha sido namorada do Alberto. São aquelas coincidências, “matematicamente impossíveis", mas que de vez em quando lá acontecem. 
Ao entrar no quarto teve de virar a cara. De facto a voz tinha razão. O Alberto está bastante maltratado. A sua cara está inchada ao ponto de se parecer com a de um porco! Este pensamento faz com que Joana solte um riso. Alberto fica atónito ao ver a sua namorada a rir-se. Quando está prestes a insultá-la, a Joana conta-lhe a razão pela qual se está a rir. O Alberto não aguenta e desata a rir também. 
Afinal tudo aquilo não passou de uma parvoíce. Decidem esclarecer toda esta confusão com a Rita e com o Carlos e voltam para casa para passar a noite de Natal com a família!
Nessa noite, a mãe de Joana traz uns sonhos feitos por ela e diz “Acordei cedo e fiz estes sonhos ainda em pijama!” 
Alberto e Joana olham um para o outro e desmancham-se a rir! 


FIM