Entrevista SPM Clube de Matemática - Jessica Augusto (atleta olímpica)
Publicado a 01 de Novembro de 2011

Entrevista SPM Clube de Matemática - Jessica Augusto (atleta olímpica)


 



Nasceu em França, mas aos seis anos de idade veio a correr para Portugal. E, nunca mais parou de...correr. Reside na cidade dos arcebispos em Braga.  Uma boa aluna na escola, em particular, à disciplina de matemática onde as equações e o cálculo afim eram produzidas a uma passada com uma métrica bem definida.  Tem frequência universitária em enfermagem, uma prova para retomar um dia noutros caminhos. O atletismo corre-lhe nas veias, sendo actualmente uma das melhores atletas do panorama nacional e europeu. Foi considerada recentemente pela European Atlhetics a atleta europeia. Esta conversa (de)correu no parque da cidade na cidade no Porto, antes de mais um treino de preparação para a Maratona de Nova Iorque a 6 de Novembro.

Adora atletismo mas segue o futebol e a carreira do seu namorado Eduardo, jogador do Benfica e da Selecção Nacional. Namoram há 14 anos, conheceram-se no 10º ano na escola correndo para os braços um do outro para não mais se largarem.

A jóia da coroa do atletismo nacional na actualidade tem como grande objectivo dar uma corrida às suas adversárias nos jogos Olímpicos de Londres em 2012. Até lá muita água vai correr debaixo da ponte. Na linha de partida desta entrevista, um número a espera, o um,  ou não fosse esta uma entrevista de índole matemática.


O que nos pode contar da sua infância?

Foi uma infância muito feliz como qualquer criança gostava de andar de bicicleta, de brincar com os meus amigos e de correr. Nasci em França. Vim para Portugal muito nova com seis anos de idade, para Braga, onde posso dizer que tive uma infância normal e feliz.


Na escola já tinha inclinação para o atletismo?

Sim, já corria muito na escola. Fazia corta-matos e outras competições. Mas fazia outras coisas, entre elas estudava muito, uma vez que gostava muito da escola. Lembro-me de correr com pessoas mais velhas e de lhes ganhar. Então pensei se consigo correr desta maneira, posso fazer isto mais a sério.


Gostava de matemática na escola?

Gostava muito. Era uma das disciplinas que nunca tive dificuldades. Lembro-me de gostar de trabalhar matemática sem quaisquer problemas.


Que matéria/conteúdos matemáticos mais gostava?

A matéria que mais gostava eram as equações entre outras coisas. Achava muito fácil. Não sei porquê a matemática sempre foi uma disciplina muito fácil para mim. Fazia tudo com relativa facilidade. Era um tipo de matéria que realizava bem.


E qual a que menos apreciava?

Probabilidades. E tem uma razão para isso. Lembro-me que na altura que a minha professora de matemática estava a dar as probabilidades, iniciei um processo de estágios e treinos por causa do atletismo que me obrigava a faltar muito ás aulas. Recordo que por causa disso perdi  a fase inicial dessa matéria e, talvez por isso, não gostei em particular dessa matéria.


Lembra-se de algum momento que em contexto de sala de aula a matemática a tenha marcado?

Recordo um, em particular. Foi um momento que uma professora de matemática me disse uma coisa que marcou. Disse que eu tinha muito jeito para a matemática, que gostava de trabalhar. Aquele momento foi importante.


Em 1997 é o ponto de origem do profissionalismo no atletismo. Desde aí nunca mais deixou de correr?

É verdade. Nunca mais deixar de treinar e correr. Uma das partes mais importantes é o treino. A corrida constante é fundamental. Mas recordo que o atletismo não é só corrida. Tem muitas outras fases numa atleta de alta de competição como a alimentação, dormir bem entre outros aspectos. Agora é necessário correr muito e nesse aspecto nunca mais deixei de correr.


Faz ideia nestes 14 anos de atletismo profissional quantos quilómetros já percorreu?

Sinceramente não sei. Nunca fiz essa análise. Mas posso dizer que são muitos quilómetros. Certamente, já fiz algumas voltas a Portugal a correr.


A matemática tem muitas fórmulas. Qual é a sua para o sucesso no atletismo?

A matemática tem muitas fórmulas...a fórmula de sucesso no atletismo é o trabalho diário, a dedicação a fazer aquilo que se gosta.


A estatística é um ramo da matemática. Faz uma análise profunda antes das corridas?

Não sou uma atleta que se preocupa demasiado com uma análise exaustiva antes das corridas. Conheço atletas que fazem uma análise profunda ao percurso, estudam as outras atletas em diversos domínios, como por exemplo a reacção dos adversários em certos momentos do percurso em provas anteriores. Eu preocupo-me com o presente e, de como estou preparada para essa corrida. Tento me preparar o melhor possível em cada corrida. O passado no atletismo por vezes pode ser enganador, uma vez que em determinado momento uma atleta pode estar muito bem preparada para uma corrida e, noutra já não. Logo, não me preocupo em demasia com essa análise, preocupo-me sim em analisar bem a corrida que faço em cada momento. Tento estar bem para cada corrida que faço.


O matemático grego Aristóteles disse “nós somos o que fazemos repetidamente”. No atletismo é assim...

Penso que sim. O atletismo tal como a matemática é necessário muito trabalho, muita repetição para atingir bons resultados.


No atletismo como na matemática para se atingir bons resultados é preciso muito trabalho e sacrifício. Concorda?

O atletismo é uma modalidade que é preciso muito sacrifício. Penso que a matemática também acontece isso.


O seu namorado, o guarda-redes internacional e jogador do Benfica. O Eduardo gosta de atletismo?

Claro que gosta muito. Acompanha de perto a minha carreira e está sempre presente nos momentos importantes.


Mas não a consegue acompanhar a correr?

Claro que não. Eu corro muito mais do que ele.


E a Jessica gosta de futebol?

Gosto muito. Acompanho também muito de perto a carreira dele. Quando ele estava em Braga ia sempre ver os jogos quando não tinha competição ao mesmo tempo. Agora desde que ele está no Benfica e, uma vez que é suplente não vou tantas vezes ver os jogos. Mas sempre que posso vou ver.


O seu treinador é muito importante na sua carreira?

Muito importante. Está comigo em todos os momentos. É fundamental para que eu possa atingir bons resultados. Tem muita experiência de atletismo, é um excelente treinador.


A curto prazo quais são os grandes objectivos imediatos?

Estou neste momento a preparar-me para a Maratona de Nova Iorque, nos Estados Unidos no dia 6 de Novembro. Mais para adiante, o objectivo passa pelos Jogos Olímpicos de 2012. Esse é o grande objectivo, provavelmente o mais alto de toda a minha carreira.