Crime... disse ele!

Crime e a matemática

Elementar, meu caro Moriarty!


 

Há escritores fascinados com os mistérios da ciência que inventam personagens matemáticas para as suas aventuras. Muitas vezes são os heróis. Outras são os “maus da fita”. 

Responde depressa: quem é o arqui-inimigo do Super-Homem? Não é difícil, pois não? Mas… se perguntássemos quem é o arqui-inimigo do Sherlock Holmes? Não sabes? Ao menos a profissão já deves imaginar! Trata-se do Professor Moriarty, um homem de educação esmerada e extraordinárias capacidades matemáticas.A personagem criada por Conan Doyle é inspirada em matemáticos reais. Aos 21 anos, o Professor Moriarty alcançou fama nos meios académicos europeus com a publicação de um tratado sobre a “teoria binomial”. O sucesso foi tanto que foi convidado para ser professor de Probabilidades numa universidade inglesa. Escreveu a obra “A dinâmica de um asteróide”, uma incursão tão brilhante na matemática que nenhum outro cientista era capaz de comentar! O próprio Holmes o descrevia como um homem genial, capaz dos mais elaborados raciocínios matemáticos – o seu “par intelectual”.Mas cedo deixou a vida académica para se dedicar a actividades ilegais. Chefe de uma organização criminosa que actuava no sub mundo londrino, Moriarty era o cérebro brilhante que planeava roubos, falsificações e assassínios. A sua genialidade era tal que muitos dos crimes ficavam por esclarecer e a polícia, apesar de não ter dúvidas da sua mão por detrás dos delitos, nunca conseguiu reunir provas suficientes que permitissem a sua prisão. 

Embora seja considerado o arqui-inimigo de Sherlock Holmes, Moriarty aparece apenas em dois dos livros que contam a saga do detective. Em “O Problema Final”, de 1894, Holmes e Moriarty defrontam-se num arriscado jogo mental e físico que termina com a queda de ambos nas cataratas de Reichenbach, na Suíça. 

Doyle pretendia matar o seu herói, para que se pudesse dedicar a literatura mais nobre. Por isso, criou um inimigo tão genial que qualquer outro pareceria pequeno. No entanto, a pressão dos fãs de Sherlock e a falta de testemunhas oculares da morte do polícia fizeram com que este fosse “ressuscitado”. 

Moriarty, por outro lado, permaneceu morto. Isso não impediu, no entanto, que Doyle o incluísse noutro livro, "O Vale do Medo", que embora publicado muito depois de "O Problema Final", contava uma história anterior à deste. 

(Kalkular, suplemento do jornal Público, Janeiro 2007)


Links Úteis