Irresoluções do Ano Novo por Carlos Marinho-Contos de 3º grau-Epis. VI
Contos de 3º Grau...
Publicado a 26 de Janeiro de 2016

Irresoluções do Ano Novo por Carlos Marinho nos contos de 3º grau - História 2/Episódio VI

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Clube de Matemática SPM

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Título: “Irresoluções do Ano Novo” - História 2
                 

  Episódio I por Gonçalo F. Gouveia - Dia 1

O professor Artur Curto despertou do seu torpor quando uma lata vazia rolou pelo chão e atingiu-o em plena face. Por uns instantes imaginou-se na sua cama, no seu quarto de sempre, como acontecia desde que se recordava de si próprio, consequência naturalíssima da uma vida serena e de hábitos precisos como um relógio suíço. Mas algo não estava bem, e o professor Artur Curto, perito consumado dos meandros rotineiros dos seus dias, apercebeu-se imediatamente da anomalia. Estava deitado num chão duro e frio! Tentou levantar a cabeça e olhar o contentor de alumínio que o trouxera, sem aviso prévio, à dura luz matinal que entrava pela janela, de persianas estranhamente escancaradas para a lanterna implacável pendurada no céu desse primeiro dia do ano. A cabeça pesou-lhe uma tonelada e, ato contínuo, a boca encheu-se de um sabor de cartão prensado. A lata de cerveja devolvia-lhe o reflexo implacável de uma cabeça desgrenhada e uma face olheirenta. O professor do quadro Artur Curto olhou estupefacto em redor, e foi aí que se apercebeu que não estava no quarto que a sua memória desconcertada lhe dizia ser o seu, e onde cumprira serenamente a passagem de ano na noite anterior, conforme sempre acontecia. Subitamente, fez-se luz: estava na sua escola, em plena sala de aula! 

  Episódio II por José Carlos Santos - Dia 6 

Artur levantou-se. Não sem dificuldade, diga-se. Parecia que os braços e as pernas se recusavam a obedecer-lhe, para além de lhe dar a impressão de que a cabeça tenha triplicado de tamanho… e de peso. Mas, aos poucos, conseguiu pôr-se em pé e começar a raciocinar e a observar a sala à sua volta.

A sala era de facto uma sala de aula da sua escola, embora não costumasse ter aulas nela. Tudo à sua volta pareceria normal, não fosse o facto de haver mais três pessoas na sala. Duas pareciam profundamente adormecidas: o seu colega Alberto Pinheiro e a dona Zulmira Pinto, da secretaria. Ambos estavam com um ar tão desgrenhado quanto ele próprio. Sentado à secretária, com um ar um pouco melhor mas, ao mesmo tempo, profundamente confuso, estava outro colega seu, o João Alves. Este último acabou por ser o primeiro a falar. «Estás mesmo aqui ou isto é um sonho idiota?», perguntou ele.

  Episódio III por José Veiga de Faria - Dia 11

Foi o Artur quem respondeu. A névoa que lhe toldava a mente começava a dissipar-se e as recordações do dia anterior iam, aos poucos, emergindo da bruma.

- Estás mesmo aqui João, na nossa Escola, respondeu. 

- Lembras-te que combinámos passar o Ano na Escola, em conjunto, a elencar os grandes problemas que a Escola enfrenta e depois a estabelecer uma forma de os resolver. Todos queríamos oferecer aos alunos e às famílias uma Escola funcional e feliz em 2016. Uma Escola onde todos se respeitassem, houvesse genuíno gosto por aprender, onde todos os alunos pudessem desenvolver o que têm de melhor dentro de si.

- Depois começaram a aparecer os problemas, continuou. A indisciplina na sala de aula – e lá bebíamos uma cerveja para esquecer – as humilhações que alguns de nós sofriam infligidas por alunos e pais -  mais um whisky – o frio em algumas salas de aula – um copo de vinho com uma saúde para aquecer – o desenraizamento de muitos de nós…

- E a água que pinga na secretaria? interrompeu a D. Zulmira que começava a recompor-se.

  Episódio IV por Paulo Correia - Dia 16  

Entre a azia, a dor de cabeça o bom humor começou a emergir…    
Isto foi quase um Conselho Pedagógico… e dos bons - só foi pena os camarões estarem tão salgados… disse o João com um sorriso.    
Iam quase começar a rir quando trocaram olhares e se lembraram todos ao mesmo tempo que tinham fechado na sala da Direção o professor Antunes - o Diretor da escola.    
Durante a “reunião”, quando o discernimento já não permitia maiorias ou minorias esclarecidas, tinham colocado o Diretor em “isolamento” para que ele refletisse melhor sobre a retenção. As indicações da direção da escola eram no sentido de aplicar os critérios de avaliação de forma “cega” e muito “rigorosa”... contava-se que no ano anterior tinham reprovado alguns alunos por apenas algumas décimas de pontos percentuais.    
Com a rapidez própria de quem está a recuperar lentamente foram até à sala da direção… e para espanto dos três o Diretor estava lá, aparentemente bem humorado, em frente ao computador a escrever, com um ar mais empenhado do que era costume.

  Episódio V por Sílvio Gama - Dia 21

“Espero que já estejam recuperados dos excessos da noite passada. Para quem precisar, há Guronsan ali”, disse o Diretor, apontando para uma das prateleiras do seu gabinete.   
“Artur, foi genial a tua ideia de me enclaustrares aqui. Adorei.” -  continuou o Diretor. “Isolou-me dos líquidos, o que me permitiu ficar para aqui a escrever algumas ideias para melhorar o desempenho da escola. Vou contactar a MiniSom para vir até cá fazer um rastreio auditivo. O corpo docente da escola está a ficar velho e há colegas que já ouvem mal.”   
“Podias falar um pouco mais alto?”, pediu o Alberto ao Diretor.   
“ESTÁ BEM... JÁ OUVES ASSIM?” 

“Bem... estamos em janeiro e que tal organizarmos um concurso de... MIAR DE GATOS? Adoro gatos.” – prosseguiu o Diretor. 

 Episódio VI por Carlos Marinho - Dia 26

Nesse momento, ouve-se um miar no parapeito da janela. Um anafado e buliçoso gato preto trazia ao pescoço um papel cintilante. O diretor intrigado, a recuperar da meia bebedeira, recolheu o animal enquanto Artur lia a missiva: “Pirem-se! A Polícia está a chegar... Denúncia de substâncias ilegais na festa!”  
Tarde demais. Ouve-se uma voz sibilante a ecoar por todo o edifício: “Quietos. Ninguém se mexe! Estão todos presos!” Era mesmo a polícia... 
Após identificarem toda aquela gente, o polícia chefe recebe um inusitado telefonema do qual responde: “Mandem-nos entrar”. Segundos depois aparecem 2 homens algemados. O Alberto diz: “João Novais, tu aqui? Não foste para Londres?” Novais era o professor de TIC e presidente do conselho geral. Diz o diretor: “O homem das pizzas, aqui também?” Nesse momento, o gato rapinava um pouco de pizza deixada no chão e eis que... desmaia. Em seguida, aparece meio desarvorado o professor de matemática Malaquias, conhecido por não beber alcool desde que nasceu a dizer: “Estava a verifcar umas máquinas de calcular na arrecadação e a comer a pizza de mozarella e, nem me lembro de acabar a raiz cúbica...fiquei off!”

FIM