Entrevistado de Junho do clube spm - Tozé Santos dos Per7fume
Publicado a 24 de Maio de 2012

Entrevistado de Junho - Tozé Santos dos Per7fume (Perfume)

     

O nosso convidado do mês de Junho é Tozé Santos da banda Per7ume. Músico, compositor, vocalista da banda, Tozé Santos é o homem dos 7 instrumentos. Nesta entrevista vamos à sua infância, passando pela escola, a matemática, vamos falar de notas, pautas, obrigatoriamente faremos um intervalo, tocaremos no duo com Rui Veloso, falamos do "Si", (sei) do "lá", até que se faça luz do "sol", vamos afinar em todas as notas musicais...sempre com um excelente per7ume. Inteligente, cultura acima da média, sempre com aquele "quantis satis" de humildade que só os bons, os excelentes em alguma coisa têm, Tozé Santos afinou as melhores notas numa entrevista onde as letras se misturaram com os números. Com Per7ume, Tozé Santos...

 

A sua infância foi de (en)cantar?

Devo dizer que sim. Sobretudo porque comecei a cantar desde muito cedo. Foi uma infância feliz no seio familiar. Eu sou o mais novo de quatro irmãos, todos eles músicos. Os meus pais também gostavam muito de música, logo despertei para a música muito cedo. Iniciei a guitarra por volta dos oito anos, seguiram-se depois outros instrumentos. A música para mim foi sempre muito presente e como tal foi catapultada até aos dias de hoje.

 

Com 10 anos na escola já dava…música aos seus professores?

Tenho de confessar que até aos doze anos fui um excelente aluno. Era muito bem comportado, cumpridor e organizado. Depois começou o bichinho de ter as bandas de garagem, mais ou menos pelo sétimo ano de escolaridade. A partir daí foi o descalabro. Comecei a estar menos atento nas aulas. Nunca fui um aluno de estudar muito em casa porque aprendia bem nas aulas. Como comecei a estar menos atento e, o facto de não estudar muito começou a influir o meu aproveitamento. Mas nunca dei música aos professores. Sempre fui um aluno muito educado.


E as aulas de matemática? Tinha notas que tocavam até…

Lembro-me da matéria do 5º ano, de gostar de estudar os grupos e subgrupos e o que era ser comutativo. Aí tinha excelentes notas, não só a matemática, como nas outras disciplinas. Hoje penso que poderia ter sido muito melhor aluno a matemática se me tivesse aplicado um pouco mais a partir do 7º ano.


“E o livro que eu não li”… todos perguntam, qual? Foi algum de matemática?

O enquadramento dessa frase, se for para contextualizar, devo ter deixado de ler alguns livros. Claro que os não ter lido (alguns de matemática) certamente me fizeram falta.


Per7ume com o número 7. Porquê?

A banda decidiu chamar-se Per7ume, no dia 7 do 7 de 2007. Isto é absolutamente curioso, 07 do 07 de 07. Por outro lado, temos um elemento do grupo que é designer e que vê as coisas sempre pelo lado mais conceptual. Ele achou que o número 7 deveria ser importado, começando a fazer logotipos. Até porque na música existe uma marca muito conhecida que tem um 7 em vez de um F, que é o 7ender. Ele fez bem essa analogia, que se tornou um fator de diferenciação quando se procura "perfume banda" na net, basta escrever perfume com 7 (per7ume) e é a desambiguação total e absoluta.

 

Vamos fazer um “intervalo”. Este tema com Rui Veloso foi uma potência à escala…

Absolutamente. Rebentou com a escala. Nem nós estávamos à espera de um sucesso tão grande na primeira semana de air-play, nas rádios mais ouvidas em Portugal, detentoras do grande share de air-play. O tema entrou logo para o 1º lugar, começou  a vender imenso nas plataformas digitais, 1º lugar no itunes, entrou igualmente para o top de discos físicos. Rebentou as escalas dos tops e das nossas expetativas. Porque ninguém estava à espera de um percurso tão rápido e fugaz como aconteceu. Sabíamos que a participação do Rui Veloso ia encurtar o caminho, ia ser o atalho para passarmos a jogar na primeira liga. Mas nunca pensamos que isso acontecesse no espaço de 1 ou 2 semanas.


Vai mudar de per7ume por uns tempos?

Eu mudo de perfume regularmente. Aliás, fui eu que propus que a banda se denominasse de per7ume. Repara que quando se olha para as biografias dos projetos, as primeiras frases são muito redondantes, mais ou menos como “somos um conjunto de pessoas que fazem conjugação de vários géneros”. Nós quisemos ser um pouco mais ousados, ao dizer que somos uma conjugação de fragâncias que no seu conjunto fazem um aroma, fazem um perfume. Porque a música é exatamente isso, é menos tangível. É exatamente como um perfume que se sente mas não se pode sentir o tato. Pode se sentir o frasco ou a caixa, tal como o cd. Mas o que tem nele contido (cd) é intocável.


Tantas vezes cantou “mudo” que vai mudar. Qual é a geometria desta mudança?

É transversal. Há uma secante enorme. É um tema dual, por um lado de mudança, necessidade de mudar e, é mudo de estar calado. Também se debate muito nesse disco a comunicação. A comunicação é fundamental em tudo e por vezes, a má comunicação pode levar a problemas muito grandes, por vezes intransponíveis.


Nos seus cálculos o seu novo tema a solo “Dissertação sobre quase tudo e coisa nenhuma” vai dar em mestrado na música portuguesa…

Para já fica o epíteto da dissertação. A intenção da dissertação está lá patente. A dissertação sobre tudo e coisa nenhuma é fazer a confluência de ideias baseadas na minha perspetiva da vida. A vida é tudo. Pelo instinto natural, pelo facto de sermos humanos. É um instinto animal de auto-perservação. Deixa de ser tudo quando deixamos esta forma de existência, se acreditamos que pode existir outra forma de existência. Crenças à parte. Este trabalho debate essa temática. É aminha visão sugeneris e muito particular sobre a razão da existência. É um trabalho tripartido porque é um disco, um livro e um filme. O disco saiu no dia 28 de maio, na segunda-feira passada, o livro sai dia 1 de setembro e o compêndio de luxaria dia 12 do 12, sai uma caixa com o disco, o livro e o filme. Inicialmente isto foi programado para sair tudo ao mesmo tempo, mas aconteceu por inerência das parcerias que eu fui entabulando, de lançar em 3 frações, que se manifestam em 3 campanhas, 3 investidas que para mim serão mais abonatórias.


Um dos singles foi o “amor em gramas”. Foi precisa muita matemática para dividir e pesar o amor…

As pessoas nos dias de hoje, têm muito essa apetência (será um mito urbano)de quantificar tudo, até o amor. O amor parece que tem um preço, parece que se mede “ah, aquele gosta mais de mim”, houve a necessidade de desmitificar. Para se debater o mote que existem coisas que não são quantificáveis, valem pelo que valem, têm a sua valência natural.


O Matemático alemão Gottfried Leibniz referiu que “a música é um exercício inconsciente de cálculos”. É uma frase afinada…

Nunca ouvi falar (risos). Absolutamente. Eu hoje faço muitas analogias entre a matemática com a música. Se pegarmos na música em termos de escrita, quando transpomos a música para pauta, temos frações, é um ritmo 4 por 4., é um 6 por 8, é um ritmo composto que pode ter vários andamentos, é a questão dos compassos, aquilo é exatamente um exercício de matemática. Mesmo que seja executado por pessoas que tocam de ouvido, como se costuma dizer. A música e a matemática têm muito em comum. Por isso, é que eu gostava de ter ido um pouco mais longe na disciplina de matemática.  Neste momento estou a estudar piano de uma forma mais efusiva. Meti na cabeça no final do ano passado que queria ser um grande pianista porque não sou um exímio pianista. Neste momento sou melhor guitarrista e baterista que pianista. Toco piano, sei os acordes, as formas, as escalas. Neste momento estou a estudar piano, havendo muitas analogias, revejo por isso, muita matemática na música.


Existem pessoas que quando se chateiam contam até 10. O Tozé prefere o dó, ré, mi…

Invocar as 7 notas e, depois as derivações e os micro tons. Não, eu prefiro contar os carneiros antes de dormir. Há coisas do dia-a-dia que me tiram o sono e, o contar carneiros ajudam-me a adormecer.


Para quando um tema sobre os números e a matemática para o homem dos 7 instrumentos...

Lá está outra vez o número 7. É curioso, faço aqui um reparo, o 7 está patente neste trabalho, não por eu ter tocado os 7 instrumentos, há aqui uma redondância do fato de existir esta expressão porque na realidade toquei mais de vinte instrumentos neste disco. É o 7 porque é exatamente o sétimo disco que eu gravo em estúdio. Neste momento já estou a gravar o oitavo com os Per7ume. Como foi o sétimo disco eu achei que por inerência pelo passado com os Per7ume, sem ser muito supersticioso, achei que o 7 sempre serviu e não vi razões para não o voltar a usar.

 

Escolha a opção correta. “Eu gosto mais de tocar: 1) viola; 2) piano ou 3) bateria.

Viola porque foi onde tudo começou. A minha aventura na música começa com a viola. O meu irmão era uma aluno muito avançado quando eu comecei a tocar guitarra. Eu gostava muito de o ver tocar, sobretudo peças clássicas. Nessa altura evolui nos instrumentos de cordas, tocava baixos, bandolins e banjos. O próprio piano é um instrumento de cordas embora funcione com teclas. O que eu tive imediatamente a seguir foi o piano, passando depois para as percussões, por achar que era mais simples. Afinal não era tão mais simples. Começa tudo com as guitarras, é a opção A).


Por Carlos Marinho



Notícia do dia 24 de maio de 2012


Entrevistado de Junho - Tozé Santos dos Per7fume (Perfume)- Dia 1. A não perder!



 


A entrevista do mês de Junho do clube spm passa de novo pela música. O músico, vocalista e compositor da banda Per7ume Tozé Santos é o convidado do mês 6.


Com uma carreira fulgurante desde que se formaram no dia 7 do 7 (Julho) de dois mil e "sete" os Per7ume são hoje uma das melhores bandas portuguesas. O tema "Intervalo" cantado com Rui Veloso tornou-se a canção mais badalada da música portuguesa. Descobrimos nesta entrevista qual é afinal o livro que Tozé Santos não leu, como diz a letra da música "e o livro que não li, o filme que eu não vi...". Será que é um livro de matemática?


Nesta entrevista que mais parecia uma aula de matemática o nosso convidado teve nota máxima. Vamos saber porque razão aparece o número 7 no nome da banda "Per7ume". No próximo dia 28 de Maio, o nosso convidado apresenta um novo trabalho a solo denominado "O homem dos 7 instrumentos", paralelamente ao da banda.


Dia 1 de Junho, o clube spm entrevista este magnífico músico. Depois da entrevista de Pedro Abrunhosa em Abril de 2011, há pouco mais de um ano, eis que voltamos à música, a entrevistar um excelente músico.


Tozé Santos dos Per7fume vai nos (en)cantar!