Toda a investigação educativa que procura responder à questão – o que é faz de uma escola uma boa escola com bons resultados para a generalidade dos seus alunos? – encontra invariavelmente uma resposta: o seu clima, o seu ethos, a sua atmosfera desempenham um papel central na qualidade dos processos e dos resultados educativos.
E o que é então esse clima, ethos, atmosfera? É sobretudo um sentimento de bem estar pessoal e interpessoal, é um gostar de, é um sentir-se parte de uma comunidade, é uma sensação de inclusão e de pertença. E é esta disposição que gera a vontade de interagir, de aprender, de conviver, de ser.
E o que é que gera estes sentimentos e disposições? A comunicação, a escuta, a proximidade, a atenção. O saber que não se é uma peça a mais na engrenagem. Que não se é mais um número. O saber e o sentir que temos um nome. Que somos autores. Que contamos para a construção de uma comunidade educativa. Que somos únicos e que é essa diferença que é o sal da terra.
E que efeitos são gerados por este clima? Uma muito maior implicação na aprendizagem. Resultados académicos mais expressivos e consistentes.
Nenhuma pessoa é uma ilha cercada de nada e coisa nenhuma, como dizia Daniel Serrão no 1º encontro LIA promovido pela Faculdade de Educação e Psicologia da Católica Porto. Pois não. Somos arquipélagos. Precisamos de climas propícios para sermos e nos desenvolvermos. E o que faz uma política de agregar escolas, transformando-as em megaorganizações sem rosto? Destrói a possibilidade de existência de climas à escala humana, destrói possibilidades acrescidas de aprendizagem e a melhoria dos resultados.
Há alternativas a este modo de agir. Haja lucidez e vontade. As escolas e as aprendizagens dos alunos merecem-no.